Torcedores já formam fila para acompanhar velório coletivo na Arena Condá

Às 5h30min deste sábado já era possível ver uma fila de torcedores esperando o momento de entrar na Arena Condá para a despedida dos jogadores da Chapecoense que morreram no acidente de avião na Colômbia. Nem a chuva fraca da madrugada desanimou os torcedores.
O anúncio inicial é de que os portões da Arena Condá seriam abertos às 7h, porém com o atraso das aeronaves em mais de duas horas – devem chegar em Chapecó só às 10h, ainda não se sabe se o horário está mantido.
A cerimônia seguirá 10 passos: abertura, histórico do clube, hino da Chape, pronunciamentos, homenagens, entrada das bandeiras, registro das vítimas, mensagem do Papa Francisco, honras militares e encerramento. Mesmo com a previsão de chuva intensa durante todo o dia, a organização da solenidade afirma que nada será alterado e a programação será mantida em qualquer circunstâncias.
O acesso ao estádio poderá ser feito pelas alas Sul, Norte e Oeste, a ala Leste estará fechada. Na Sul a entrada se dará apenas pelo portão três, entre frente à loja da Chape na Rua Clevelândia. Já na Norte e Oeste o acesso se dá pela Marechal Floriano Peixoto, na esquina com a Índio Condá. Ao todo, estima-se que o velório coletivo dure quatro horas, sendo que os primeiros 45 minutos da cerimônia são reservados para as famílias das vítimas.

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE

chape-bombeiros-nonoai
Bombeiros de Nonoai: Inocêncio, Luiz Fernando, Deividi e da prefeitura Josiane de Moura.
Notícias relacionadas

Prefeito de Chapecó enaltece Medellín e avisa: ”A Chapecoense não vai cair”
O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, está em Manaus acompanhando o translado dos cinquenta corpos de vítimas do voo que levava a delegação da Chapecoense e jornalistas para Medellín, na Colômbia. Os três C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) pousaram na Base Área da capital amazonense por volta das 23h20 (horário de Brasília).
Emocionado com a homenagem do povo colombiano – e, por que não, manauara – Buligon aproveitou para declarar que a Chapecoense não vai acabar após a tragédia.
– A nossa cidade vivia um grande momento no futebol. Quero agradecer esses momentos que vocês têm proporcionado. A Chapecoense não vai cair, a Chapecoense vai se manter – disse o prefeito, sob aplauso do público.
Luciano, também, confirmou as homenagens agendadas para este sábado, em Chapecó. Ainda segundo ele, apenas 16 corpos ficarão na cidade catarinense.
– Às 8h, estará pousando o primeiro avião em Chapecó. Por volta das 9h30 começaremos as homenagens. À tarde será o sepultamento. Sei que 16 corpos ficam em Chapecó e o restante será encaminhado para cidades vizinhas. O presidente da Chapecoense, por exemplo, morou em Chapecó por muito tempo, mas era de Pato Branco, e o pai quer enterrá-lo lá.

Aviões atrasam em Manaus e devem chegar a Chapecó às 10h
A previsão dos três aviões que transportam as vítimas do acidente com a Chapecoense saírem de Manaus por volta das 2h da manhã não se confirmou. Os Hércules C130 da Força Aérea começaram a sair perto das 4h da Base Aérea de Manaus e com isso devem chegar a Chapecó por volta das 10h. As informações são da Globo News, confirmadas pela Aerounática. O motivo do atraso foi uma homenagem de um time local de Manaus que foi feita ao prefeito de Chapecó, afirma a assessoria da Força Aérea Brasileira (FAB).
Segundo a FAB, os aviões começaram a sair pouco antes das 4h e a previsão de pouso é entre 9h30min e 10h deste sábado.
Apenas duas aeronaves decolaram da Base Área de Manaus. A assessoria da FAB informa que as urnas foram realocadas nestas duas aeronaves, sendo que cada uma levou 25 urnas.
Os aviões pousaram no final da noite desta sexta-feira em Manaus, onde fizeram uma escala para reabastecimento. O primeiro C130 pousou na Base Aérea de Manaus às 23h25min, e o segundo às 23h55min. O terceiro chegou à 0h08min. Eles devem ficar em solo por até duas horas para o desembaraço alfandegário.

Chapecoense planeja reconstrução após tragédia com apoio de empresários e ex-profissionais
Domingo marcará o primeiro dia do resto da vida da Chapecoense. Depois de velar e de entregar os seus heróis aos familiares, torcedores darão um abraço à Arena Condá e o clube ingressará em um processo de reestruturação.
Não será fácil. Todos sabem. Foi assim com o Brasil-Pel que, em escala menor, quando teve dois jogadores mortos em um acidente de ônibus, sete anos atrás, acabou rebaixado à segunda divisão estadual antes de se recuperar e ascender à Série B nacional. A Chape ganhou o abraço do mundo, mas perdeu um time inteiro.
— A Chapecoense vai recomeçar, isso é certo. Precisamos honrar os nossos jogadores e amigos que morreram nessa tragédia. Mas ainda é cedo para pensarmos nisso. Estamos em luto, ainda é cedo para encontrarmos uma saída — comentou o novo presidente da Chapecoense, Ivan Tozzo.
Além de Tozzo, dono de uma distribuidora de alimentos, o recomeço deverá ser capitaneado por outros dois empresários locais: Plinio David de Nes Filho, presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, e Gelson Della Costa, vice-presidente do Conselho. Os três deverão formar um conselho de gestão, a fim de tocar o clube em 2017. Não está descartado o auxílio do governo de Santa Catarina para gestionar junto ao Planalto apoio de estatais como patrocinadoras do clube, ao menos para o ano que vem.
Na atual temporada, a Chapecoense trabalhou com um orçamento de R$ 47 milhões — e gastos de R$ 43 milhões. Agora, tudo mudará. Ainda que os associados do clube tenham saltado de 9 mil para 22 mil em apenas três dias, devido à repercussão da tragédia de Medellín e ao auxílio de todos aqueles que se comoveram com o drama catarinense, o clube não sabe por quanto tempo essa comoção se transformará em apoio na prática. Bem verdade que a lojinha oficial da Chapecoense nunca vendeu tanto. Atende a pedidos de todo o Brasil — encomendas para o Rio Grande do Sul e para São Paulo são as campeãs de envios pelos Correios —, pois a camisa do clube virou objeto de culto. O que todos sabem, porém, é que essa comoção não vai durar para sempre e que o time da Arena Condá precisa encontrar novas maneiras de se manter, de se reconstruir.
Ainda que diversos clubes, capitaneados pelo Grêmio, tenham se colocado à disposição para emprestar jogadores gratuitamente, e que haja um plano para conceder uma licença especial ao novo campeão honorário da Copa Sul-Americana, a fim de mantê-lo na Série A do Brasileirão, livre de descenso, por pelo menos três anos, o futuro é incerto.
— Seremos muito mais criteriosos para contratar a partir de agora. Não podemos cometer erros — diz o chefe dos analistas de desempenho da Chapecoense, Vitor Hugo Nascimento. — E não queremos pena de ninguém. Solidariedade é uma coisa, pena é outra. Remontaremos o elenco buscando o mesmo perfil de atletas que tínhamos. Não virão superatletas, não virá Ronaldinho Gaúcho ou Riquelme (informações que passaram a circular nas redes sociais, nos últimos dias). Mas nós vamos nos reerguer — assevera Nascimento.
Do elenco profissional de 2016 da Chapecoense, oito jogadores estariam hoje em condições para atuar. Mais os garotos das categorias de base, atuais vice-campeões estaduais da categoria sub-20. Para o ano que vem, Hyroan, o camisa 10, terá novo endereço: o Palmeiras. Já estava vendido e não viajou a Medellín porque estava lesionado.
— Tínhamos uma grande família aqui. Alguns jogadores já haviam recebido ofertas de outros clubes, pois estavam em fim de contrato aqui, mas decidiram ficar conosco agora — conta Vitor Hugo Nascimento, sem citar nomes, mas um desses jogadores seria o goleiro Marcelo Boeck, ex-Inter.
Profissionais que passaram pela Chapecoense também admitem o retorno ao clube nesta missão de reestruturar a equipe. Um deles é o técnico Gilmar Dal Pozzo. O goleiro do Caxias, campeão gaúcho de 2000, foi quem levou a Chapecoense da Série B para a elite nacional. É uma espécie de herói na cidade. Ainda que tenha assinado contrato com o Ceará no começo da semana — horas antes da tragédia de Medellín —, admite auxiliar o clube a temporada toda.
— Todos nós que passamos pela Chapecoense, que perdemos amigos, devemos ajudar nessa reconstrução. De alguma maneira. Estou à disposição do clube para o que for preciso — afirma Dal Pozzo.
— Tenho mantido contato com outros ex-jogadores do clube. Ainda não sabemos como, mas todos ajudaremos a Chapecoense a se recuperar — assegura o zagueiro Douglas Grolli, cria da Chapecoense, ex-Grêmio, atualmente na Ponte Preta.
Um dos apoios mais emocionantes que o clube recebeu nos últimos dias foi o da tribo kaingang Condá, que habita a região oeste de Santa Catarina e celebra o seu luto com músicas e danças. Vitornio Condá, o cacique que empresta o nome ao estádio da Chapecoense, é um símbolo de bravura e de resistência. E é a partir do seu exemplo de luta que a Chapecoense pretende renascer. Já a partir desse domingo, depois de honrar os seus heróis.

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE

print