José Mauro Coelho pediu demissão da presidência da Petrobras. A estatal anunciou na manhã desta segunda-feira a saída dele após semanas de pressão do governo federal por conta dos aumentos sucessivos nos preços dos combustíveis. De acordo com nota publicada hoje, a Petrobras deverá nomear um presidente interino e essa nomeação será examinada pelo Conselho de Administração da empresa.
A saída de Coelho ocorre em um momento de crise da estatal com os poderes Executivo e Legislativo. Após a divulgação do último aumento na gasolina e no diesel, na última sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro intensificou o discurso contra a política de preços da Petrobras. “É inadmissível, com uma crise mundial, a Petrobras se gabar dos lucros que tem. Só no primeiro trimestre, foram 44 bilhões de lucro — nunca visto na história. […] E na Lei das Estatais está escrito que essas empresas têm que ter também um fim social. Ninguém quer interferir nos preços, mas esse spread, esse lucro abusivo — a diretoria, seus conselheiros, seu presidente poderiam resolver”, disse Bolsonaro. Além disso, a criação de uma CPI foi defendida por Bolsonaro de forma imediata. O chefe do Executivo disse que acertou a instauração do órgão com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e com o líder do governo na casa, Ricardo Barros (PP-PR).
Lira também não aliviou no discurso contra a Petrobras. Ele afirmou que “chegou a hora de tirar a máscara” da empresa. Segundo o parlamentar, a Petrobras “não pode ser estatal quando lhe convém e privada nos lucros astronômicos”. Ele defendeu a divulgação de detalhes sobre o funcionamento da empresa e a atuação dos seus funcionários.
print