Para quem passa distraído pelas ruas de Muçum e Roca Sales, cidades do Vale do Taquari, nada há de diferente. O comércio aberto, alguns transeuntes e o silêncio típico das cidades do Interior escondem, superficialmente, as marcas da tragédia. Um olhar um pouco mais atento, contudo, verá que as cidades ainda exibem resquícios claros do terror que passaram há seis meses atrás. Ambos os municípios foram devastados pelos temporais de setembro de 2023, que resultaram em uma enchente descomunal que arrastou as cidades. Pelas calçadas e ruas, não há mais barro nem lama, mas casas ainda estão em ruínas, as frequentes placas de “aluga-se” em salas comerciais e as marcas de água e lama em prédios evidenciam que o local foi palco de um desastre.
É esse cenário que o presidente Lula, que chega a Lajeado nesta sexta-feira, encontrará. Pela primeira vez na região desde o ocorrido. A sua vinda é carregada de expectativa por parte dos gestores que tentam, aos poucos, reerguer as cidades. Meio ano após a tragédia, Muçum e Roca Sales tentam recuperar a sua economia e as perdas materiais, mas falham quando o assunto é o atendimento à população, que carrega traumas incuráveis, temores frequentes e uma desesperança latente.