Apesar da alta do petróleo, reajuste da Petrobras no diesel tende a ser mínimo, projetam analistas

Um dos principais efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio tem sido a disparada no preço do barril de petróleo Brent, o que afeta o comércio internacional de combustíveis e toda a cadeia logística global. A alta do custo do produto gera expectativa de encarecimento da gasolina e do diesel também no Brasil.

Por enquanto, a Petrobras, estatal que domina o setor de combustíveis brasileiro, ainda não deu sinais concretos de que fará reajustes. Procurada pela reportagem, a empresa afirmou, em nota, que “por questões concorrenciais, não antecipa decisões sobre manutenção ou reajustes de preços”.

A petroleira destaca que sua estratégia visa reduzir “a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro, garantindo maior previsibilidade e segurança, protegendo nossos clientes de oscilações abruptas que se originam fora do país”. Desde 2023 a empresa não segue mais a política de paridade internacional de preços do petróleo.

Nesta segunda-feira (9), o preço do barril de petróleo chegou perto de US$ 120, consolidando a disparada desde o início da guerra no Oriente Médio. No fim do dia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, projetou que o conflito pode estar perto do fim e acalmou o mercado. Às 18h, o barril do Brent era cotado a US$ 88,70.

Nos 10 dias desde os ataques dos EUA ao Irã, o petróleo acumula alta acima de 20%, o que criou uma defasagem entre o custo internacional do produto e os preços praticados pela Petrobras no Brasil. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o atual contexto daria margem para a estatal brasileira aumentar em R$ 1,22 o litro da gasolina e R$ 2,74 o litro do diesel no país. Conforme o presidente da associação, Sergio Araújo, cerca de 15% da gasolina e 30% do diesel consumidos no Brasil vêm de importações.

— O Brasil depende da importação de combustível, principalmente em relação ao diesel, por causa da nossa capacidade de refino, e como os preços no mercado externo estão muito mais altos, essa importação está praticamente parada. É necessário que haja um ajuste nos preços internos praticados pela Petrobras, para compensar pelo menos parte desta defasagem, para que não haja descompassos no abastecimento. Por enquanto, o momento é de incerteza no mercado — afirma Araújo.

Em entrevista coletiva realizada na última sexta-feira (6), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a empresa segue monitorando o cenário internacional, mas que ainda não há uma previsão concreta de reajuste dos preços praticados internamente.

— Nossa política segue sólida. Observamos as paridades internacionais de petróleo sem repassar as volatilidades para o mercado interno — destacou.

Contudo, Chambriard acrescentou que o posicionamento da empresa poderá mudar caso o preço do barril de petróleo se mantenha em patamar elevado pelas próximas semanas.

— Se essa subida for consistente, ela exigirá respostas mais rápidas — complementou.

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