Feminicídios deixam ao menos 47 órfãos no RS em 2026

Os 24 feminicídios já registrados no Estado nos primeiros meses de 2026 deixaram pelo menos 47 órfãos, segundo mapeamento do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). O projeto Pedros e Marias identificou ao menos 15 filhos maiores de 18 anos e outros 27 menores de idade. Há, ainda, cinco órfãos vinculados a um caso específico cuja vítima era de outro estado, onde os filhos residem, e não foi possível, até o momento, determinar se são maiores ou menores de idade.

Os números foram apresentados nesta semana no seminário “Ampliando o olhar do Sistema de Justiça: feminicídio, subnotificação e respostas institucionais”, promovido pelo MPRS. No evento, a coreógrafa, psicóloga e ativista contra a violência doméstica Lili de Grammont fez um relato emocionante sobre como se tornou órfã do feminicídio. Quando tinha apenas dois anos, em 1981, sua mãe, a cantora Eliane de Grammont, foi assassinada a tiros pelo pai da ativista, o também cantor Lindomar Castilho, durante uma apresentação.

O projeto

Projeto Pedros e Marias é voltado ao acolhimento e à atenção de vítimas indiretas do feminicídio, como filhos e pais de mulheres assassinadas. Para a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha, o compromisso do MPRS é garantir que essas histórias sejam acolhidas com dignidade, proteção e respeito. “Olhando para esses casos, a gente percebe aquilo que é óbvio: o feminicídio é um crime de muitas vítimas. Não temos apenas uma mulher silenciada, com a vida interrompida. Temos filhos, pais, histórias de vida que são brutalmente modificadas por esse ato de extrema violência. E são essas histórias que precisamos contar”, ressaltou Alessandra.

Explosão de casos

O Rio Grande do Sul já registra 24 feminicídios em 2026. O mais recente ocorreu em Viamão, na Região Metropolitana, no último dia 25. Dione Poisl, de 74 anos, foi assassinada pelo filho, um homem de 44 anos, que foi preso em flagrante. Também em março, no dia 17, Daiane Rosa Zastrow, de 39 anos, foi morta a facadas em Esteio, também na Região Metropolitana. O principal suspeito é o companheiro, de 61 anos.

Além desses, março registrou outros dois feminicídios, um em Camaquã e outro em Montenegro. Fevereiro teve nove casos e janeiro, 11.

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