Depois de decidir pela saída do Progressistas (PP), partido no qual militou nos últimos 30 anos, o deputado estadual Ernani Polo divulgou um manifesto explicando seus motivos. Uma síntese foi publicada também em suas redes sociais.
Na carta, com o título “Uma nova caminhada, o mesmo destino”, Polo diz que sai do PP “com dois sentimentos profundos: gratidão e respeito”. Detalha que é grato por tudo o que viveu e construiu no PP ao longo de uma trajetória que inclui um mandato de vereador, quatro de deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa e secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Econômico. Os agradecimentos foram para quem nele confiou nessas três décadas.
Polo diz que a decisão de sair foi motivada pela forma como a direção estadual do PP decidiu por uma aliança com o PL, sem consulta à convenção estadual, como era a proposta dele e dos deputados que o apoiaram na pré-campanha para concorrer a governador. Pelos seus cálculos, 80% dos convencionais defendiam a candidatura própria, “que além de manter a unidade partidária, garantiria uma eleição forte para deputados estaduais e federais”, mas não tiveram a oportunidade de decidir.
“Mesmo nos momentos mais intensos, sempre deixei claro: queria disputar internamente, e, se derrotado, apoiaria quem vencesse. Não fomos ouvidos, e sequer nossa solicitação de pré-convenção foi considerada. Eu queria ser candidato a governador pelo partido de minha vida. Mas uma parte do Progressistas, com o apoio da direção nacional, decidiu que este debate sequer poderia ser aberto. O jogo conduzido pela direção partidária já estava previamente definido“, diz trecho da carta, que segue:
“E hoje vemos a razão: desde o início o interesse era para o partido não ter candidato a governador. Tudo era feito para esconder uma composição como vice de outro projeto político, contrário ao que defendemos nos últimos anos em governos que fizemos parte no Estado”, escreveu Polo.
Ao explicar sua opção pelo PSD, Polo invoca a lealdade: “Diante de um processo conduzido dessa forma, não vejo nenhum problema em integrar um projeto ao qual já estivemos alinhados ao longo dos últimos anos e que ajudamos a construir, com resultados concretos para o Rio Grande do Sul. Carrego comigo princípios e valores que preservo em todos os lugares e funções públicas. Para mim a coerência, a lealdade e a confiança tem um valor inestimável e inegociável e por isso tomo essa decisão de maneira muito consciente. Não sou eu quem está deixando o Progressistas, e sim a direção do partido que deixou de lado uma história e tradição de construção coletiva de decisões e candidaturas a governador do Estado”.
Nesta sexta-feira (27), no South Summit, três dos integrantes da futura aliança MDB-PSD foram fotografados juntos. Gabriel Souza, que será candidato a governador, Polo, que deverá ser o vice, e Frederico Antunes, deputado que também está trocando o PP pelo PSD e deve ser candidato ao Senado.