A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu, na segunda-feira, 30, um médico cardiologista suspeito de abusar sexualmente de pelo menos 28 pacientes durante consultas. O homem, de 55 anos, foi preso dentro do próprio consultório, na cidade de Taquara, pelos crimes de importunação sexual e violação sexual mediante fraude. A defesa dele não foi localizada.
Segundo as investigações, o médico aproveitava o momento em que as pacientes estavam despidas para se aproximar, abraçar e fazer carícias sem consentimento. Em alguns casos, teria tocado as partes íntimas das vítimas e, ao final dos atendimentos, pedia que elas mantivessem silêncio sobre o ocorrido.
De acordo com a Polícia Civil, os crimes vinham sendo cometidos há pelo menos 20 anos. “É um assediador em série”, definiu o delegado Valeriano Garcia Neto, que está à frente das investigações, em conversa com o Estadão. “Agora já são 28 que registraram. (O número de vítimas) Vai aumentar”.
Pelo menos três mulheres, com idades entre 30 e 42 anos, prestaram depoimento à polícia e relataram situações semelhantes envolvendo o médico.
Médico dizia ser médium
Em depoimento, uma das vítimas afirmou que o médico se apresentava como médium para justificar os abusos. Ela era paciente desde 2024 e costumava realizar check-ups no mês de março, após temporadas na praia.
Já na primeira consulta, a mulher – que teve a identidade preservada – disse ter estranhado “a forma carinhosa” como foi tratada pelo profissional. Ela relatou que tentava engravidar e apresentava dores no estômago.
Durante o atendimento, o médico pediu que ela se sentasse em uma maca, passou a apalpar sua barriga e, em seguida, levou a mão até os seios. A vítima contou à polícia que o homem chegou a apresentar ereção e teria esfregado o órgão em suas pernas.
Segundo as investigações, o médico a abraçou, afirmou ser médium e disse que transmitiria “uma energia positiva por meio do abraço”. Ele também teria pedido que a paciente não contasse o ocorrido a ninguém.
Na segunda consulta, em março de 2025, o episódio teria se repetido. A mulher relatou que realizou exames de esteira e eletrocardiograma e, ao se levantar para se vestir – ainda sem sutiã -, foi novamente abraçada pelo médico.
Nesse momento, ela afirmou ter sentido novamente a ereção do homem em contato com seu corpo. A vítima não registrou ocorrência à época por medo de julgamentos e por acreditar que precisaria de provas, como vídeos, para sustentar a denúncia.