A 50ª Expointer já tem data marcada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Será de 28 de agosto a 5 de setembro. A 49ª edição, que encerra neste domingo, teve redução de cerca de 10% no público em relação ao ano passado, de acordo com dados apresentados por autoridades em coletiva de imprensa, no auditório do governo do Estado no Pavilhão Internacional da feira, nesta tarde. Até às 14 horas, ingressaram no parque 909.036 pessoas, contra pouco mais de um milhão em 2025, porém os números são parciais. O melhor dia da história da feira foi o último sábado, com o ingresso de 155.825 visitantes.
O faturamento total da 49ª Expointer aumentou por volta de 40%, alcançando R$ 6,1 bilhões em 2026, contra R$ 4,4 bilhões em 2025. Máquinas e implementos agrícolas também registraram um aumento expressivo, de 44,5%, chegando a R$ 5,4 bilhões. No ano passado, as vendas deste segmento haviam alcançado R$ 3,7 bilhões. O comércio de animais aumentou 21%; comércio e alimentação tiveram aumento de 7%, e artesanato, por volta de 5%.
“Isso demonstra na prática a questão da resiliência do setor do agro gaúcho neste momento”, disse o secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena. A subsecretária do Parque Assis Brasil, Elizabeth Cirne-Lima, citou o caráter de recuperação após as enchentes de 2024. “Se lá vivemos uma grande crise no Estado e dentro do parque, nós nos recuperamos e fizemos uma grande feira. nesse momento, seguindo essa crescente de recuperação, hoje nossos números demonstram a recuperação ou o início da recuperação econômica do Rio Grande do Sul”, comentou ela.
Para a 50ª edição, os copromotores reconheceram haver melhorias a serem feitas, como no gargalo dos estacionamentos, e Madalena se referiu a ela como a que reposicionará o Rio Grande do Sul na liderança nacional e internacional da pecuária de elite, com programações já pensadas a partir do término da 49ª. “Será a maior da História”, disse Madalena.
Vendas na agricultura familiar explodem
As vendas na agricultura familiar também cresceram, na ordem de 5%, para R$ 14,4 milhões, recorde absoluto de todas as edições, contra R$ 13,6 milhões na 48ª edição da feira. Segundo o secretário estadual do Desenvolvimento Rural (SDR), Gustavo Paim, havia certo descrédito inicial sobre a tração das vendas, porque os primeiros dias da 49ª Expointer haviam sido de comercializações ruins.
“Antes de começar a Expointer, todo mundo ficava dizendo: ‘Olha, é impossível bater os números da Expointer passada, que tinha sido o recorde absoluto de comercialização com nove dias de tempo bom’. Começamos a feira abaixo de chuva. Até terça-feira, tínhamos um déficit de 25% nas vendas em relação ao ano passado. De repente veio quarta-feira com 48% a mais, quinta-feira 58% a mais, e um sábado inacreditável”, afirmou ele, salientando também o recorde no número de expositores, com 509, e não descartando uma possibilidade futura de ampliação do espaço. “Todos que quiseram participar conseguiram”, disse Paim.
“Quando a gente imagina que atingiu o topo, a agricultura familiar sempre consegue nos surpreender com inovação, qualidade e diversidade”, complementou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanetti. Apesar dos bons resultados, elogiados por todos, o sentimento é o de que poderiam ter sido ainda melhores, não fosse a sombra da crise do endividamento rural pairando sobre muitos produtores, destacou o presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Domingos Velho Lopes.
“Os números comprovam aquilo que durante a semana falamos: ‘O fundo do poço já passou’. Entretanto, embora tenhamos que comemorar as vendas de máquinas de R$ 5,4 bilhões, elas ficam inferiores a 2024. Imagina se tivéssemos conseguido resolver o problema do endividamento do produtor rural, desde a agricultura familiar até a empresarial? Teríamos passado de longe dos 7 bilhões”, comentou ele. O presidente da Associação de Criadores de Animais de Raça (Febrac) e também da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, disse que a Expointer se consolida como referência nacional e regional de melhoramento de rebanhos.
“Pelas pistas de Esteio passa o que há de melhor na genética na região, no estado, no país e em muitas raças do mundo. Quem está na genética não pode quebrar o investimento; o polo genético está aqui”, comentou ele. A Expointer 2026 também foi a primeira carbono neutro, mas os números de compensações de emissões de gases ainda serão contabilizados, disse a secretária Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Isa Carla Osterkamp.
Confira os números da Expointer 2026
- Público Visitante: 909.036 pessoas
- Faturamento Total: R$ 6.185.575.649,95
- Máquinas e Implementos Agrícolas: R$ 5.461.320.583,60
- Automobilístico: R$ 668.757.000,00
- Animais: R$ 21.985.745,00
- Comércio e Alimentação: R$ 17.000.000,00
- Agroindústria Familiar: R$ 14.401.231,85
- Artesanato: R$ 2.111.374,50