Empréstimo de nome é responsável por 17% dos casos de inadimplência, revela estudo do SPC Brasil e CNDL

Um levantamento feito em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) descobriu que o empréstimo de nome a terceiros é uma das causas que leva os brasileiros à inadimplência. Em cada dez pessoas que estão ou estiveram com o nome inscrito em cadastros de devedores nos últimos 12 meses, duas (17%) chegaram a essa situação porque emprestaram seus documentos ou cartões para que outra pessoa fizesse compras a prazo.

A maioria das pessoas ouvidas alega que emprestou o nome com o intuito de ajudar (51%) o amigo ou familiar, enquanto 13% ficaram com vergonha de dizer não diante do pedido. Outros 11% disseram ter ficado receosos de magoar quem pediu o nome emprestado, caso tivessem de negar o auxílio.

“Emprestar o nome para amigos ou conhecidos é uma atitude solidária, mas que pode causar danos à saúde financeira de quem arca com a dívida. Quem emprestou o nome termina se responsabilizando por uma dívida que não lhe pertence, cuja falta de pagamento possui desdobramentos sérios como a restrição ao crédito, inadimplência e até mesmo a perda da amizade de quem pediu ajuda”, alerta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

De acordo com o estudo, somente em 11% dos casos a dívida contraída foi inteiramente quitada por quem pediu o nome emprestado. Para quase a metade (49%) dos entrevistados, a dívida ainda está em aberto ou sendo negociada, enquanto 30% tiveram de se responsabilizar sozinhos pelo pagamento das compras feita por terceiros. Em média, o valor da dívida chega a R$ 1.520,81.

Considerando os inadimplentes que emprestaram o nome e pagaram ao menos parte da dívida ou ainda estão negociando, 55% deles tiveram que fazer algo para conseguir limpar o nome, principalmente economizar e cortar gastos do orçamento (27%) ou usar parte da reserva financeira que possuíam (20%). Há ainda 11% de pessoas que tiveram de recorrer a empréstimos para conseguir quitar a dívida que outras pessoas fizeram em seu nome.

Depois da amarga experiência de ter o nome negativado por conta de terceiros, a maioria dos entrevistados (62%) disse que não voltaria a emprestar o nome para os outros realizarem compras a prazo. Por outro lado, 20% voltaram a emprestar o nome a outras pessoas. “Quem pede o nome emprestado muito provavelmente já tem dívidas em atraso e está com dificuldades de obter crédito por causa da restrição ao CPF. Sendo assim, quem se arrisca a ajudar esse tipo de pessoa, precisa assumir o risco de não receber o dinheiro ou receber fora do prazo esperado. O recomendável é não emprestar ou emprestar apenas um valor que não fará falta no orçamento”, orienta a economista Marcela Kawauti.

 

Metodologia

 

Foram entrevistados 800 consumidores inadimplentes ou que estiveram inadimplentes nos últimos 12 meses nas 27 capitais, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais. A margem de erro é de no máximo 3,5 pontos percentuais para uma confiança de 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

 

Informações:

Vinícius Bruno

(11) 3251 2035 | (11) 9 7142 0742

vinicius.bruno@spcbrasil.org.br

 

Viviane Marques

(61) 3213-2017 | (61) 98121-5984

viviane.marques@inpressoficina.com.br

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