Morte de João Alberto Freitas em Porto Alegre completa um ano

Completa, nesta sexta-feira, 19, um ano da morte de João Alberto Freitas, o Beto, de 40 anos, espancado e morto por dois seguranças brancos no estacionamento da unidade do Carrefour, no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, às vésperas do Dia da Consciência Negra. O crime foi registrado em vídeo por testemunhas e as imagens “viralizaram”, reproduzidas em veículos de comunicação de todo o mundo, chocando pela brutalidade do ataque.

Beto foi levado da área onde ficam os caixas do supermercado para a entrada da loja, onde começou uma briga. As testemunhas do assassinato chegaram a acionar equipes de socorro, que não chegaram a tempo de salvar a vítima, que morreu na frente da esposa Milena Alves. A perícia indicou que a causa da morte tenha sido asfixia. Seis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por participação no homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa de Beto.

Giovani Gaspar da Silva, de 24 anos, e Magno Braz Borges, de 30 anos, seguranças que agrediram Beto, estão presos. Já Adriana Alves Dutra, funcionária que tenta impedir gravação de imagens no momento das agressões, está em prisão domiciliar, Paulo Francisco da Silva, funcionário da empresa de segurança Vector, e Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, funcionários do supermercado, respondem em liberdade.

Em junho, o Carrefour fechou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com autoridades do Rio Grande do Sul após a morte de Beto Freitas. O documento prevê o pagamento de R$ 115 milhões em ações antirracistas. O grupo afirmou que os membros da família da vítima foram indenizados, o modelo de segurança nas lojas foi internalizado e compromissos assumidos vêm sendo postos em prática com objetivo de combater o racismo e promover a equidade.

O TAC foi celebrado entre o Carrefour e o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS), a Defensoria Pública da União e as entidades Educafro e Centro Santo Dias.

Já, no último dia 4, a empresa Vector assinou TAC com a DPE/RS e se comprometeu a investir R$ 1,79 milhão, valor que será direcionado ao combate ao racismo estrutural, à discriminação e à violência. Os funcionários serão treinados e uma ouvidoria independente também deverá ser criada.

Outro compromisso da empresa é aumentar seu quadro de trabalhadores negros, com metas anuais. A empresa de segurança também se comprometeu a não contratar pessoas que tenham ou tiveram registros criminais relacionados a organizações criminosas, atividades de milícias ou crimes de racismo e injúria racial. O caso gerou repercussão internacional, motivando protestos de movimentos ativistas e ações sociais lembrando o fato.

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